Lipedema: quando o aumento das pernas vai além do peso
Muitas mulheres convivem durante anos com dor, sensação de peso nas pernas, inchaço e dificuldade para perder gordura em determinadas regiões do corpo sem saber que podem ter lipedema.
O lipedema é uma doença crônica que causa um acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, também nos braços. Ele acontece quase exclusivamente em mulheres e costuma ter relação com fatores hormonais e genéticos.
Não é apenas estética
Um dos maiores desafios do lipedema é que ele muitas vezes é confundido com obesidade comum ou apenas “pernas grossas”.
Mas o lipedema vai além da questão estética.
Principais sintomas do lipedema
Além do aumento de volume, muitas pacientes apresentam:
- dor ao toque;
- sensação de peso e cansaço;
- facilidade para formar hematomas;
- inchaço;
- piora ao longo do dia;
- desconforto para caminhar ou praticar exercícios.
Com o tempo, isso pode impactar autoestima, mobilidade e qualidade de vida.
Como identificar?
Algumas características são muito comuns no lipedema:
- gordura desproporcional nas pernas;
- pés geralmente poupados;
- dificuldade para reduzir medidas mesmo com dieta e exercício;
- sensação de pernas “inflamadas”;
- histórico familiar semelhante.
O diagnóstico é clínico e deve ser realizado por um médico com experiência no tema.
Os estágios do lipedema
O lipedema pode evoluir ao longo do tempo e costuma ser dividido em estágios:
Estágio 1
A pele ainda apresenta aspecto relativamente liso, mas já existe aumento de gordura e sensibilidade nas pernas.
Estágio 2
A superfície da pele começa a ficar irregular, com aspecto ondulado ou semelhante à celulite mais intensa. Os nódulos de gordura tornam-se mais perceptíveis.
Estágio 3
O volume das pernas aumenta de forma mais importante, podendo haver deformidades de contorno e maior impacto funcional.
Estágio 4
Quando o lipedema se associa ao linfedema, ocorre um quadro chamado lipolinfedema, com inchaço mais significativo e maior comprometimento da circulação linfática.
Nem toda paciente evolui da mesma forma, e a velocidade de progressão pode variar bastante.
O tratamento é individualizado
Não existe uma solução única ou imediata para o lipedema.
O tratamento costuma envolver diferentes etapas e pode incluir:
- mudança alimentar;
- atividade física orientada;
- fisioterapia;
- meias de compressão;
- controle da inflamação;
- tratamentos vasculares;
- tecnologias para qualidade da pele;
- e, em alguns casos, procedimentos cirúrgicos.
Cada paciente precisa de um plano individualizado, respeitando sintomas, estágio da doença e objetivos pessoais.
O mais importante: acolhimento e informação
Muitas pacientes chegam ao consultório após anos ouvindo que era “falta de dieta” ou “preguiça”.
Entender que o lipedema existe e pode ser tratado é um passo importante para recuperar qualidade de vida e bem-estar.
Informação, diagnóstico correto e acompanhamento especializado fazem toda a diferença ao longo da jornada.
Dra Quisy Storti
Médica Angiologista e Cirurgiã Vascular
CRM 139409 | RQE 75884 | RQE 94802
